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"Há
oito anos sofri um acidente de carro e me tornei usuária
de uma cadeira de rodas.
Me adaptar a essa nova condição de vida, de início,
não foi nada fácil.
Tentei, a princípio, ser forte, para romper barreiras e me
tornar independente. Luta diária com os mais profundos sentimentos
e a sociedade, que não está apta e nem disposta a
nos receber. Durante muito tempo evitei algumas situações
que poderiam me causar algum tipo de desconforto, entre elas, a
realização de atividades na natureza, pois sempre
vinham acompanhadas de melancolia e da sensação de
prisão.
Posso dizer que ao longo destes anos, mudei minha concepção.
Hoje, acho que todo deficiente pode sentir a liberdade, praticando
atividades ao ar livre. Assim, deixamos de ser rotulados pela sociedade
e também por nós mesmos, como pessoas sedentárias,
improdutivas e limitadas.
Foi em setembro de 2001, durante uma visita a Reserva Canhambora,
no PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), que
tive uma inspiração. Eu estava acompanhando um amigo
fotógrafo que fazia uma matéria sobre o ecoturismo
e a primeira coisa a ser documentada seria uma cachoeira. Mas, para
chegar a ela, havia uma trilha em mata fechada, de mais ou menos
uma hora de caminhada. É lógico que eu nem cogitei
minha participação nesta jornada. Todos prontos para
a partida quando uma voz observa:
"Mas e a Adri? Não vai?"
"Como ela iria?" responderam.
"Não sei... mas algum jeito nós iremos dar!"
A trilha foi um sucesso e sinceramente, nunca havia me sentido tão
satisfeita por chegar a um lugar! Quando vi a cachoeira e a trilha
que acabara de fazer, desejei que outros deficientes tivessem a
mesma sorte e a oportunidade de fazer o que fiz.
Desde então, comecei a pensar numa maneira de tornar o ecoturismo
e a sociedade mais acessíveis ao portador de deficiência.
Decidí que precisava fazer algo que trabalhasse esses aspectos
e que, de alguma forma, fosse uma influência positiva na vida
dessas pessoas.
Depois de um tempo, conversei com meu amigo Leonardo sobre a possibilidade
de desenvolvermos um projeto de acessibilidade no ecoturismo para
o deficiente físico. Acabamos idealizando uma expedição
por algumas regiões do Brasil.
Organizar o projeto de uma expedição nestas proporções,
principalmente com o intuito de trabalhar a acessibilidade para
o deficiente físico, não era lá uma coisa muito
simples. Após um ano de trabalho, havíamos conseguido
decolar com a idéia mas a captação de recursos
era mínima. Então resolvemos partir mesmo não
tendo as condições financeiras ideais.
Estava tudo pronto para a partida, ou quase, quando fizemos um contato
com nossa amiga Paola que mudou o final desta história.
A Paola acabou nos apresentando ao Julio, da Gecko SocioAmbiental,
que reestruturou e reconceituou o projeto tornando-o ainda maior.
Nosso objetivo agora tinha uma causa.
Fundamos a Acessível e trabalhamos na expedição,
que passou a se chamar PROJETO CADEIRANTES, a primeira de uma série
de ações com o objetivo de melhorar a acessibilidade
do portador de deficiência no Brasil."
Adriana Braun
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